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  • Breve história
  • + Breve história das publicações

    + 1a. Fase: dos primórdios até 1930

    - 2a. Fase: 1930 - 1970

    + 3a. Fase: 1970 - 2000

    + 4a. Fase: Século XXI

    + Considerações finais

    + Algumas estatísticas

     

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  • 2a. Fase – 1930 - 1970

    Na década de 1930, o Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, hoje Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, inicia a publicação da Revista Brasileira de Música, aos cuidados do musicólogo Luis Heitor Correa de Azevedo (1905-1992). Nos números iniciais é lançada uma série intitulada Archivo de Música Brasileira que trouxe a público algumas obras do século XIX, cujos manuscritos se encontram no riquíssimo acervo da biblioteca da instituição. Entre as obras publicadas estão o Tantum Ergo (CPM 86) (CMSRB-161/006), e Missa dos Defuntos (CPM 184) (CMSRB-142/003, 142/004, 142/005, 142/008), de José Maurício, e o Cântico Religioso (CMSRB-116/001) e o O Salutaris, (em duas versões) (CMSRB-122/003 e CMSRB-122/012), de Francisco Manuel da Silva (1795-1865).

    Ainda na mesma década, encontramos duas publicações de obras de José Maurício. A primeira é o Ingemisco (CMSRB-087/003), cópia exata, com utilização das mesmas chapas, do trecho correspondente da edição integral do Requiem. Trata-se de um suplemento da revista Ilustração Musical, publicada em outubro de 1930, em comemoração ao centenário de morte do compositor. A segunda é o Kyrie da Missa de Requiem (1816) (CMSRB-097/009), publicado pela Casa Arthur Napoleão, contendo arranjo para 4 vozes a Capella, feito por Heitor Villa-Lobos (1887-1959), na verdade, uma mera transcrição das partes vocais, sem acompanhamento. Faz parte da série denominada Coleccção Escolar, publicada na época em que Heitor Villa-Lobos foi chefe do Serviço de Educação Musical e Artística (SEMA), a partir de 1932.

    A revista Musica Sacra, da Editora Vozes de Petrópolis (RJ), fundada em 1941 adotou a prática de publicar separatas com música sacra de várias épocas e origens. José Maurício teve várias de suas obras publicadas nessas separatas: 3o. Responsório das Matinas de Natal (dezembro 1941) (CMSRB-135/001), Ave Maris Stella (outubro de 1942) (CMSRB-019/002), Verbum caro factum est (novembro de 1942) (CMSRB-173/001), Tantum Ergo (janeiro de 1943) (CMSRB-019/002), Hino das Matinas das Festas de SS.Virgem Maria (junho de 1943) (CMSRB-134/001), O magnum mysterium, (dezembro de 1944) (CMSRB-119/001), 1o. Responsório das Matinas de Natal (CMSRB-079/001), 2o. Responsório das Matinas de Natal, (novembro de 1947) (CMSRB-080/001), 5o. Responsório das Matinas de Natal (dezembro de 1947) (CMSRB-022/001), Ave Maria das Matinas do Natal (setembro de 1948) (CMSRB-018/015). Um outro compositor do século XIX, um beneditino, Frei Antônio Patrocínio Araújo (1818-1876) teve um O Domine Jesu Christe (CMSRB-117/001), publicado em 1948. Destaquemos o nome de Frei Pedro Sinzig à frente dessas publicações.

    Mencione-se, ainda, a publicação isolada em São Paulo, em 1943, do Lux aeterna do Requiem (CMSRB-107/001) de José Maurício, com arranjo de José Cappochi.

    Nas décadas de 1930 e 1940 continuam sendo republicadas Ave Marias e O Salutaris de autores do final do século XIX e início do século XX: Marieta Neto, Carlos Gomes, Abdon Milanez, Antonio Ferreira do Rego e Arnaud Gouvêa. Novas firmas vão substituindo anteriores: E.S. Mangione, Irmãos Vitale e Edição EAM, num processo dinâmico característico daquela época.

    Na década de 1940, o musicólogo teuto-uruguaio Francisco Curt Lange (1903-1997) realiza importante e pioneira pesquisa nos acervos de música de Minas Gerais, trazendo à luz o enorme passado musical da região. Um dos frutos de sua pesquisa foi a publicação de um volume focalizando autores mineiros: a Novena de Nossa Senhora do Pilar, de Francisco Gomes da Rocha (1746-1808) (CMSRB-170/002), a Antífona de Nossa Senhora – Salve Regina (MIG 40), de Lobo de Mesquita (1746?-1805) (CMSRB-145/006) e o Hino Maria Mater Gratiae, de Marcos Coelho Neto (século XVIII/XIX) (CMSRB-109/001). A coleção, intitulada Archivo de musica religiosa de la Capitania Geral, foi publicada pela Universidade de Cuyo de Mendoza, Argentina, em 1951.

    No final dessa segunda fase das publicações aqui enfocadas, temos algumas iniciativas isoladas: a Missa a 8 vozes de André da Silva Gomes (1752-1844) (CMSRB-097/021), publicada em 1966, pela Universidade de Brasília, aos cuidados do musicólogo Régis Duprat, que voltará a ter destacada participação na atividade editorial a partir da década de 1990; o Te Deum, de Luiz Álvares Pinto (1719?-1789?) (CMSRB-163/007), publicado por Jaime Diniz (1924-1989) em 1968; uma segunda edição da Missa em Si bemol de José Maurício (CMSRB-097/002), lançada pela Vozes, em 1957, aos cuidados de René Maria Brighenti.

    Observamos nesta segunda fase que as publicações começam a estar associadas ao meio acadêmico, como é o caso da Revista Brasileira de Música, já na década de 1930, o Archivo de musica religiosa de la Capitania Geral, de Curt Lange e as publicações de Jaime Diniz e Régis Duprat. O uso prático do repertório em funções litúrgica é enfatizado pela Revista Música Sacra e o fenômeno das republicações de obras de compositores do final do século XIX e início do século XX continua, demonstrando a força desse repertório.

     

  © Carlos Alberto Figueiredo

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